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Capítulo 2 Hidráulica aplicada a condutos forçados

TEXTO ALTERNATIVO
Figura 15. Representação da "pressão" exercida em uma superfície. Ampliar em nova guia

Os condutos forçados ou tubulações são aqueles em que a pressão interna é diferente da pressão atmosférica. Nesse tipo de conduto, as seções transversais são sempre fechadas e o fluido circulante as enche completamente, trabalhando sob pressão. A pressão que ocorre no interior das tubulações também é denominada de carga, que representa uma força incidente sobre uma superfície plana, como apresentado na Figura 15. Observa-se uma coluna de água de 10 m de altura sobre uma superfície de 1 cm2 e, com isso, dizemos que a pressão na base é de 10 mca (metros de coluna de água). Essa pressão é, aproximadamente, equivalente a 1 kg f cm-2 (kilograma força por centímetro quadrado), ou seja, possui 1 kilograma de água em cada cm2 de área de base.

A unidade utilizada para pressão, no Sistema Internacional (métrico), é o kilo Pascal (kPa). 1 kg f cm-2 equivale a 100 kPa, a 10 mca, a 1 bar e a 1 atm, aproximadamente. Na Figura 16 observa-se a representação da medição de 1 kg f cm-2 em uma instalação hidráulica, devido à diferença geométrica (diferença de nível) de 10 m de altura.

TEXTO ALTERNATIVO
Figura 16. Representação da "pressão" exercida em uma superfície, em função da altura geométrica. Ampliar em nova guia
TEXTO ALTERNATIVO
Figura 17. Representação da rugosidade das paredes de uma tubulação e do deslocamento do fluido em seu interior. Fonte: Imagem gerada por inteligência artificial (Canva, 2025).

Nesse caso, a pressão medida no manômetro instalado na parte mais baixa da instalação foi igual à diferença de nível, pois não havia deslocamento do fluido. Quando ocorre o movimento do fluido no interior da tubulação, em regime de escoamento turbulento, ocorre atrito do líquido com as paredes dos condutos e das próprias partículas, umas com as outras, o que promove a perda de carga, ou seja, uma redução gradual da pressão ao longo da tubulação (perda de carga contínua) e também em peças especiais, como joelhos, curvas, tês, válvulas e registros (perda de carga localizada).

Quanto mais rugosa for a parede das tubulações, maior será o atrito e, consequentemente, maior a perda de carga. Na Figura 17 observa-se a representação da rugosidade das paredes de uma tubulação e do deslocamento das partículas do fluido em seu interior.

Para determinação da perda de carga contínua, ao longo da canalização, é comum utilizar o método de Hazen-Williams, que é um método prático de fácil execução. Esta fórmula é recomendada para tubulações de diâmetro superior a 50 mm (2"), com escoamento de água em temperatura ambiente, em regime turbulento. A perda de carga unitária (m m-1) pode ser calculada pela Equação 14.


J = 10,641 × ( Q C ) 1,85 × 1 D 4,87 equação 14

Em que:

J - perda de carga unitária, m m-1;

Q - vazão, m3 s-1;

C - coeficiente de rugosidade, adimensional; e

D - diâmetro da tubulação, m.

Os valores do coeficiente de rugosidade (C) podem ser obtidos na Tabela 5.

Tabela 5. Coeficiente de rugosidade para uso da fórmula de Hazen-Williams.

Tipo de conduto C Tipo de conduto C
Aço corrugado 60 Aço zincado 140–145
Aço com juntas "loc-bar", novas 130 Cimento-amianto 130–140
Aço galvanizado 125 Concreto, com bom acabamento 130
Aço rebitado, novo 110 Concreto, com acabamento comum 120
Aço rebitado, usado 85–90 Ferro fundido, novo 130
Aço soldado, novo 130 Ferro fundido, usado 90–100
Aço soldado, usado 90–100 Plástico 140–145
Aço soldado com revestimento especial 130 PVC rígido 145–150
Alumínio 140–145 Vidro 140
Fonte: Adaptado de Azevedo Netto e Fernández (1998).

A perda de carga ao longo da tubulação (m) pode ser calculada pela Equação 15.

H ƒ = J × L equação 15

Em que:

Hƒ - perda de carga ao longo da tubulação, m;

J - perda de carga unitária, m m-1; e

L - comprimento da tubulação, m.

Para se estimar a perda de carga localizada, ou seja, aquela que ocorre nas peças especiais, é comum se utilizar o método dos comprimentos equivalentes, em que se atribui um comprimento equivalente para cada tipo de peça, material e determinado diâmetro, conforme apresentado na Tabela 6.

Tabela 6. Comprimentos equivalentes de peças especiais de aço e PVC.

Tabela de perdas de cargas localizadas em conexões, considerando-se os comprimentos equivalentes em metros de canalização
Conexão Diâmetro nominal x Equivalência em metros de canalização
Material 3/4" 1" 1 1/4" 1 1/2" 2" 2 1/2" 3" 4" 5"
Curva 90° TEXTO ALTERNATIVO PVC 0,5 0,6 0,7 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,9
Metal 0,4 0,5 0,6 0,7 0,9 1,0 1,3 1,6 2,1
Curva 45° TEXTO ALTERNATIVO PVC 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1
Metal 0,2 0,2 0,3 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,9
Joelho 90° TEXTO ALTERNATIVO PVC 1,2 1,5 2,0 3,2 3,4 3,7 3,9 4,3 4,9
Metal 0,7 0,8 1,1 1,3 1,7 2,0 2,5 3,4 4,2
Joelho 45° TEXTO ALTERNATIVO PVC 0,5 0,7 1,0 1,3 1,5 1,7 1,8 1,9 2,5
Metal 0,3 0,4 0,5 0,6 0,8 0,9 1,2 1,5 1,9
Tê de passagem direta TEXTO ALTERNATIVO PVC 0,8 0,9 1,5 2,2 2,3 2,4 2,5 2,6 3,3
Metal 0,4 0,5 0,7 0,9 1,1 1,3 1,6 2,1 2,7
Tê de saída lateral TEXTO ALTERNATIVO PVC 2,4 3,1 4,6 7,3 7,6 7,8 8,0 8,3 10,0
Metal 1,4 1,7 2,3 2,8 3,5 4,3 5,2 6,7 8,4
Tê de saída bilateral TEXTO ALTERNATIVO PVC 2,4 3,1 4,6 7,3 7,6 7,8 8,0 8,3 10,0
Metal 1,4 1,7 2,3 2,8 3,5 4,3 5,2 6,7 8,4
União TEXTO ALTERNATIVO PVC 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,15 0,2 0,25
Metal 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,02 0,03 0,04
Saída de canalização TEXTO ALTERNATIVO PVC 0,9 1,3 1,4 3,2 3,3 3,5 3,7 3,9 4,9
Metal 0,5 0,7 0,9 1,0 1,5 1,9 2,2 3,2 4,0
Luva de redução (*) TEXTO ALTERNATIVO PVC 0,3 0,2 0,15 0,4 0,7 0,8 0,85 0,95 1,2
Aço 0,29 0,16 0,12 0,38 0,64 0,71 0,78 0,9 1,07
Registro de gaveta ou esfera aberto TEXTO ALTERNATIVO PVC 0,2 0,3 0,4 0,7 0,8 0,9 0,9 1,0 1,1
Metal 0,1 0,2 0,2 0,3 0,4 0,4 0,5 0,7 0,9
Registro de globo aberto TEXTO ALTERNATIVO Metal 6,7 8,2 11,3 13,4 17,4 21,0 26,0 34,0 43,0
Registro de ângulo aberto TEXTO ALTERNATIVO Metal 3,6 4,6 5,6 6,7 8,5 10,0 13,0 17,0 21,0
Válvula de pé com crivo TEXTO ALTERNATIVO PVC 9,5 13,3 15,3 18,3 23,7 25,0 26,8 28,8 37,4
Metal 5,6 7,3 10,0 11,6 14,0 17,0 22,0 23,0 30,0
Válvula de retenção Horizontal TEXTO ALTERNATIVO Metal 1,6 2,1 2,7 3,2 4,2 5,2 6,3 6,4 10,4
Vertical TEXTO ALTERNATIVO Metal 2,4 3,2 4,0 4,8 6,4 8,1 9,7 12,9 16,1
Observações: Os valores acima estão de acordo com a NBR 5626/82 e Tabela de Perda de Targa da Tigre para PVC rígido e cobre, e NBR 92/80 e Tabela de Perda de Carga Tupy para ferro fundido galvanizado, bronze ou latão. Os diâmetros indicados referem-se à menor bitola de reduções concêntricas, com fluxo da maior para a menor bitola, sendo a bitola maior uma medida acima da menor. Fonte: Schneider Motobombas. Disponível em: <https://schneidermotobombas.blob.core.windows.net/media/321009/schneider_tabela_selecao_2023-05_web.pdf>. Acesso em 09 mai. 2025.

Para o cálculo, faz-se uma lista de todas as peças e conexões existentes na canalização, atribui-se o comprimento equivalente para cada uma e soma-se todos os valores. Ao final, multiplica-se o comprimento equivalente total (m) pela perda de carga unitária (m m-1).

Em instalações de recalque comuns, para elevação de água da fonte até um reservatório, com poucas peças especiais e longos trechos de tubulações retilíneas, pode-se considerar um adicional de 3 a 10% das perdas ao longo da canalização, em substituição às perdas localizadas. Para projetos de irrigação por aspersão e localizada, valores em torno de 10 e 15%, respectivamente, representam adequadamente as perdas localizadas.

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