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Introdução

A irrigação é uma técnica que vem se desenvolvendo de maneira significativa, oferecendo equipamentos e sistemas disponíveis para as mais distintas condições. A história da irrigação está ligada ao desenvolvimento e à prosperidade dos povos. As antigas civilizações surgiram em áreas desérticas, onde a produção só era viável através da irrigação.

Atualmente, mais da metade da população mundial depende de alimentos produzidos em áreas irrigadas. O aumento constante da população global está demandando uma agricultura competitiva e tecnificada, capaz de produzir alimentos de maior qualidade e em maior quantidade. A irrigação não deve ser vista como um elemento isolado, mas sim como um conjunto de métodos empregados para assegurar a produção econômica de uma cultura específica, com o uso adequado dos recursos naturais. Deve-se considerar os elementos de sistemas de plantio, a possibilidade de rotação de culturas, a proteção dos solos com culturas de cobertura, a fertilidade do solo, o controle integrado de pragas e doenças, a mecanização, entre outros, visando a produção integrada e a melhor colocação nos mercados.

Certamente, esse conceito de irrigação requer um programa de pesquisa e desenvolvimento muito bem estruturado para sua implementação e longevidade. Portanto, o futuro da irrigação inclui produtividade e lucratividade aliadas à eficiência no uso de água, energia, insumos e respeito ao meio ambiente.

Em geral, a procura por esses conceitos tem sido relevante, porém restrita, já que tem se concentrado na perspectiva da Engenharia, deixando de lado o Manejo. Apesar do avanço dos sistemas de irrigação modernos, que proporcionam uma distribuição de água mais eficaz em várias circunstâncias, a ausência de um programa de gestão pode comprometer tudo. Seja pela aplicação excessiva (mais frequente) ou insuficiente, antes ou após o momento apropriado para cada etapa da cultura e circunstâncias presentes. De que serve a engenharia aprimorar sistemas cada vez mais exatos e eficazes se os irrigantes desconhecem o momento adequado para irrigar e a quantidade de água a ser utilizada?

A finalidade principal da uniformização da irrigação é aumentar a produtividade e/ou a lucratividade da propriedade. Em circunstâncias onde a água é abundante e seu custo é bastante acessível, os problemas de um manejo ineficaz não são enfatizados, talvez por serem de natureza indireta ou de longo prazo. Contudo, quando a disponibilidade de água é restrita, como ocorre em diversas regiões do Brasil, um gerenciamento eficaz assume um papel crucial, tanto pela necessidade de satisfazer as necessidades agrícolas, quanto pela competição com outras necessidades.

As perdas de água durante a irrigação e as perdas por percolação resultam em uma menor disponibilidade de água para a plantação e um aumento no custo de produção. A irregularidade na irrigação resulta em excesso de água em uma região do campo e escassez em outra, fazendo com que seja preciso ampliar a quantidade de água para alcançar maiores produtividades.

Dados recentes da Agência Nacional de Águas (ANA, 2017) trazem outra realidade em relação à demanda de água para a agricultura irrigada, como apresentado na Figura 1.

Gráfico de rosca acerca das demanda de água por setor de uso no Brasil: uso animal 8,4%, irrigação 49,8%, mineração 1,7%, indústria 9,7%, termelétricas 4,5%, humano rural 1,6% e humano urbano 24,3%. A demanda total é de aproximadamente 65 trilhões de litros ao ano.
Figura 1. Demanda de água por setor de uso no Brasil. (Fonte: ANA, 2017). Ampliar em nova guia

Como se observa, a irrigação demanda cerca de 49,8% da água utilizada no Brasil, um valor bem abaixo daquele encontrado em demais informativos. Mesmo assim, devemos considerar que é o setor que mais demanda água no país e, por isso, se deve atenção especial, principalmente quanto aos projetos e manutenção dos equipamentos de irrigação, visando a eficiência de uso de água na produção agrícola.

Mesmo considerando os cenários de disputa pela água nos últimos anos, sabe-se que ainda há muita área irrigável no Brasil. Na Figura 2A observa-se onde se concentram as principais áreas irrigadas do país. Notadamente, percebe-se que na região Norte do país, onde se encontram mais de 70% dos recursos hídricos, é onde menos se irriga. Na Figura 2B observa-se o potencial de crescimento da irrigação no Brasil, que segundo o estudo, pode chegar a possuir 29 milhões de hectares.

Figura de dois mapas do Brasil, ambos acerca da irrigação agrícola no país. A imagem à esquerda (2A) representa a área irrigada em hectares, evidenciando os estados de maiores áreas irrigadas, que concentram-se no sul e sudeste do país. A imagem à direita (2B) representa o potencial de área adicional irrigável, destacando áreas protegidas e o potencial irrigável mais alto em partes do Centro-Oeste, Sudeste e extremo sul da Bahia.
Figura 2. Área irrigada (ha) e área adicional irrigável porcentual nas diversas regiões do Brasil. (Fonte: IBGE, 2006; MI-SENIR, 2015). Ampliar em nova guia

Assim, conseguimos compreender de forma mais aprofundada como o setor de irrigação pode oferecer oportunidades, trabalho e renda. No entanto, é imprescindível possuir uma perspectiva moderna da agricultura irrigada, em contraste com a antiga perspectiva, focada apenas em ações de combate à seca, sem considerar as tecnologias emergentes.

Portanto, é essencial compreender que a irrigação é mais um recurso à disposição dos agricultores para incrementar a produtividade de suas plantações. Ela deve ser utilizada em conjunto com outras técnicas, como o manejo fitossanitário, a correção e fertilização do solo, a preservação do solo e da água, além da implementação de outras práticas para assegurar uma agricultura sustentável.

Se por um lado, a agricultura promove os diversos benefícios já comentados, por outro, pode trazer diversos problemas, como a necessidade de destinação de grandes volumes de água para o setor, excesso de aplicação em muitas áreas, possibilidade de problemas ambientais, limitação dos recursos hídricos etc.

Para contornar esses problemas, somente trabalhando com novos conceitos, adequando-se os sistemas de irrigação para uma nova realidade, com a preocupação do uso consciente da água e demais recursos. Isso somente pode ser obtido, com a adoção das práticas de agricultura irrigada, respondendo-se, inicialmente a duas perguntas: “Quando e quanto irrigar?”. Parece simples, mas há muita informação a ser considerada para se ter essas respostas.

É por essa razão que nos dedicamos ao estudo da irrigação, a fim de obtermos conhecimento adequado para uma gestão adequada dos sistemas de irrigação, baseada em critérios técnicos e já estabelecidos.

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