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Considerações finais

Esperamos que este estudo sintetizado do período, assim denominado medieval, possa servir como uma reflexão inicial sobre as percepções, saberes e a cultura de uma era de construção de inúmeros conhecimentos, técnicas e cultura que embasam a contemporaneidade.

Era das Trevas? Vemos em nosso cotidiano conflitos políticos, religiosos, étnicos de todos os tipos e formas que podem ser comparados, com o devido distanciamento, para evitar anacronismos, com crenças e preconceitos do medievo. As trevas estão no nosso cotidiano: na violência urbana, nas guerras que massacram populações civis aos milhares e por vezes milhões de seres humanos, na fome e na miséria que grassa no “terceiro mundo”.

A tendência a qualificar o Outro como um ser negativo e valorizar grupos sociais inteiros como inferiores já foi bastante estudada. De uma forma geral, tendemos a hipervalorizar certos períodos da História como sendo melhores e superiores e a desvalorizar outros com estereótipos e preconceitos, considerando-os como uma era de Trevas.

O medievo legou muitos saberes, arte e cultura, técnicas que depois foram aprimoradas e atingiram um grau de complexidade elevado. Mas tudo começou com os andares inferiores da História e chegou aos andares superiores graças ao esforço criativo dos operários que ergueram a base. Apesar da nostalgia da era clássica que legou a cultura greco-romana, esta só chegou a nós através da transmissão parcial pelos monges copistas, outra pelos tradutores, também pela reelaboração das leis romanas e da filosofia nas universidades medievais, pela habilidade dos artesãos que ergueram as catedrais românicas e góticas, pelos comerciantes que cruzaram os mares e aproximaram civilizações distantes e pelos exploradores que uniram a Europa com os demais continentes.

Reflitam sobre os usos de termos: bárbaros diante de civilizados; cristãos diante de muçulmanos; a civilização diante da barbárie; o bem diante do mal; a verdade diante do erro e do desvio da fé. Todas essas discussões e essas ponderações – que buscam a plena verdade e a excelência de certos grupos, povos e raças diante de outros inferiores e falsos – estão no nosso cotidiano. Estudar o medievo pode e deve servir para refletir sobre a nossa realidade, ajudar no diálogo com a alteridade, a diversidade e a convivência entre seres humanos diferentes. Esperamos que este estudo tenha ajudado a refletir sobre um período rico em saberes, experiências e trocas culturais.

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